Luto lúcido de mim mesma

Um relato intenso de autoconhecimento e reconstrução, de quem reconhece seus limites, honra sua força e transforma a consciência tardia em lucidez e justiça consigo mesma.

ESPIRITUALIDADE LÚCIDA

Entre Linhas

12/16/20251 min read

Não sinto culpa.

Sinto a consciência tardia de quem carregou demais.

A névoa caiu e eu vi: o peso que abracei,

o chão que me tornei,

o corpo que esqueceu de si.

Despeço-me de quem fui.

Da versão que aguentava tudo,

do papel que deu identidade por anos,

da ilusão de que amor era absorver impacto.

Troco: “O que fiz de mim?” por “O que aguentei por tempo demais.”

A acusação se desfaz.

O contexto retorna.

A dignidade permanece.

Não quero me punir.

Não quero voltar atrás.

Não quero consertar ninguém.

Peço apenas reposicionamento,

para não me destruir.

Adaptei-me. Aguentei ambientes que exigiam demais,

porque era forte, disponível, sem custo próprio.

Agora coloco.

Quem só se sustentava me usando… cai.

Não é dureza, é justiça comigo mesma.

Não perdi nada essencial.

Estou me reconstruindo.

Estou me devolvendo.

Estou me reencontrando em cada pedaço que volto a ser.

Meu chão agora é mais firme.

Meus limites são claros.

Não sou abrigo para quem não respeita.

Não carrego mais o que não me pertence.

E no silêncio que sobra, na lucidez que acalma, vejo:

sobrevivi!

Sobrevivi, inteira.

E sobreviver não é dor.

É vitória.

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