Entre a Influência e a Essência
Quando a influência nos afasta — e a essência cobra retorno.
ESPELHOS INCÔMODOS
Todos somos espíritos encarnados.
Acreditemos ou não.
Sempre fomos influenciados pelo plano invisível,
mesmo sem perceber, mesmo sem saber.
Hoje, porém, essa influência ganhou outra forma.
As ideias circulam com uma velocidade nunca vista.
Nunca foi tão fácil conectar mentes, pensamentos, desejos.
Cada pessoa quer influenciar.
E influencia!
Centenas, milhares, milhões.
Cada postagem, cada imagem, cada palavra carrega algo de quem a criou.
Um tipo de DNA sutil — energético, emocional.
Algo que nasce do que aquela pessoa é, sente, acredita.
E esse conteúdo alcança outros.
É absorvido por quem consome, muitas vezes sem perceber.
Vai entrando, se misturando, criando ecos internos.
Assim, pouco a pouco, somos atravessados por ideias que não nasceram em nós.
Ideias que moldam comportamentos, opiniões, reações;
No lar, no trabalho, com quem amamos...
O que consumimos com regularidade, então, se hospeda.
E o que nos habita passa a nos conduzir.
Deixamos de ser quem somos.
Viramos uma mistura de vozes, pensamentos e influências.
Não no sentido bonito da troca —
mas na confusão de quem já não sabe o que é seu,
e o que lhe é enfiado goela abaixo.
Mas, como sair disso?
Começando pelo essencial: conhecendo a si mesmo.
Reconhecendo que somos únicos.
Criados à imagem e semelhança de Deus.
Portadores de qualidades que, ao longo das experiências,
se feriram, se distorceram, se perderam de vista.
Conhecer as próprias sombras não é fraqueza.
É o início da lucidez.
Porque só quem reconhece o que carrega dentro
pode escolher o que quer transformar.
É preciso coragem.
Coragem para olhar para dentro.
Coragem para encarar as próprias imperfeições.
Coragem para lembrar quem se é —
antes das vozes, das influências,
antes do mundo dizer quem deveríamos ser.
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